Tempero da Vida

Viagens
Rosane Vidinhas
14 de agosto de 2018

Conhecendo melhor a história do Rio

O Projeto Revelando o Brasil tem como missão levar o turismo acessível e de qualidade aos moradores do Rio de Janeiro e turistas através de histórias, curiosidades e diversão.

É uma iniciativa própria, no momento sem apoio do governo ou patrocínio.

A contribuição é voluntária. No final do tour cada pessoa contribui. O valor mínimo é R$10,00 (dez reais).

Participei desse tour num sábado à tarde, com a Guia Juliana Fiúza. O dia estava agradável como carioca gosta, céu azul, e não tanto calor.

No roteiro ouvimos sobre a chegada da Corte, sobre as igrejas, muitas curiosidades dessa época…em pleno Centro do Rio de Janeiro. Gostoso estar no local da própria história.

O grupo foi chegando, sem inscrição prévia, se reuniu nas escadas da ALERJ, Palácio Tiradentes, Rua Primeiro de março, s/n – Praça XV – Rio de Janeiro.

Rosane Vidinhas e a Guia Juliana Fiúza

Foram cerca de 60 pessoas, Juliana Fiúza depois me disse que o grupo seguinte ao meu, reuniu 120 pessoas aproximadamente. Ou seja, há muita gente que se interessa por Cultura, História, sua gente e local onde vive…

O tema que escolhi foi Rio Antigo: Ruas, Becos e Sociedade e pincei aqui os pontos que mais interessa ao meu trabalho: o que é relativo a cultura alimentar e também a higienização. Uma coisa ligada a outra.

Muito interessante, para nós cariocas, por ser sábado, o Centro com outra configuração.

Sem estresse, ruas com pouquíssimo trânsito, comércio fechado e tranquilo, sim, e não me senti ameaçada.

A Rua do Ouvidor era reconhecida na época como um cenário de boas compras para as senhoras e chás da tarde. Nela funcionou a Confeitaria Paschoal, fundada em 1850, frequentada pelos maiores nomes da literatura. As Confeitarias eram locais perfeitos para o nascimento de grandes obras, ideias e muitas fofocas.

 

O Rio de Janeiro recebe grande influência árabe, como notamos no Beco das Cancelas, a menor e mais estreita rua do Rio. Ali ainda se vê vestígios das valas, por onde corriam os esgotos a céu aberto. Os escravos tigreiros carregavam barris de madeiras sobre as cabeças com os dejetos produzidos pela população, as pessoas em suas casas, iam enchendo esses toneis de madeira com fezes, urina e outros restos, quer embaixo das escadas ou num canto mais recolhido.

Beco da Cancela

Quando já estavam quase transbordando, recorriam-se então a esses escravos, que equilibravam esses tonéis nas cabeças ao longo das ruas e ruelas até despejarem no mar, na Baía de Guanabara. Depois retornavam com os recipientes vazios para receber nova carga.

Esses barris eram chamados de “tigres” e os seus condutores, de “tigreiros”. Talvez o nome fosse uma alusão à coragem dos carregadores ou, quem sabe, à imagem desagradável das barricas que, ao transbordar, espalhavam fezes nos corpos dos escravos e dos negros de ganho, numa combinação que lembrava a pelagem dos tigres. Existem versões que afirmam que o apelido foi dado porque, ao avistar os negros levando barris de dejetos, os transeuntes, com medo de ficarem sujos, afastavam-se rapidamente, como se fugissem de um animal selvagem.

Quando um “tigre” passava, as pessoas tapavam o nariz com lenços, viravam o rosto, se encolhiam. De longe, os “tigreiros” vinham alertando os moradores com seu bordão “Abra o olho! Abra o olho!” Os passantes se esquivavam, com medo de que um simples esbarrão acarretasse um banho asqueroso”. (http://historianovest.blogspot.com/2010/06/cuidado-com-o-tigre.html)

As ruas exalavam um cheiro horroroso e os problemas de higiene eram muito sérios.

Outro ponto ressaltado pela guia Juliana sobre a influência árabe, é descrita pelo viajante John Luccock que descreveu a refeição das famílias cariocas, a mulher se sentava em uma esteira ,as crianças no chão e o marido em uma cadeira. Só os homens utilizavam a faca, mulheres e crianças comiam com os dedos.

Na Rua da Quitanda, relembramos os negros e mestiços que originaram a comida de rua do Rio de Janeiro.

As escravas quitandeiras e seus cestos e tabuleiros de alimentos para vender, equilibrados em suas cabeças transitavam por ali.

Não era tão habitual cozinhar em casa e ainda antes de surgirem as casas de pasto, tabernas, botequins e restaurantes, a comida era preparada e vendida na rua por ambulantes, negros alforriados ou escravos de ganho.

Vendiam café, batata doce, sardinha, pipoca, amendoim e outros pratos como feijoada e angú. Esses dois eram vendidos em fogão de pedra improvisados nas praças

Pereira Passos se concentra na questão da higienização da cidade e uma das providências é proibir esse tipo de comércio de rua.

Passar por esses pontos turísticos do Rio, que para nós cariocas, quantas vezes fazem parte do nosso dia a dia na correria,  nesse Centro da Cidade, para trabalharmos, estudarmos, fazermos compras com preços melhores, resolvermos assuntos em cartórios, etc. e atravessamos ruas, ficamos diante de prédios, sem ter um tempo para imaginar e conhecer sobre nosso passado e história.

Igreja da Candelária

No Beco dos Cachorros, encontramos a memória da antiga horta dos beneditinos, que por ser guardada por cachorros deu o nome ao beco, e marcou a agricultura no Morro da Conceição.

O tour se encerrou na Rua Miguel Couto.

O tour terminou na Avenida Marechal Floriano, em frente ao bar Quina de Ouro, rei das Sardinhas.

Muita informação gostosa de ouvir!

Existem outros roteiros.

O próximo que irei participar será o Tour Gastronômico : Origens da Culinária Carioca

Confira programação, datas, horários em:

https://www.facebook.com/pg/RevelandooBrasil

https://www.revelandoobrasil.com.br

No site e facebook deles vocês encontram também quanto a registros e orientações aos passeios.

CADASTRUR – agência de turismo :  19.085561.10.0001-8

CNPJ: 27.013.310/000105

 

 

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