Tempero da Vida

Agroecologia, PANCs, Orgânicos e Sustentabilidade
Rosane Vidinhas
16 de agosto de 2018

TERRA CRIOULA

TERRA CRIOULA é um espaço de comercialização dos alimentos e agroindustrializados produzidos por homens e mulheres do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Esse espaço fica aberto de 15 em 15 dias, na Rua da Lapa 107, Centro do Rio de Janeiro.  E por dois dias apenas, terças e quartas.

Na próxima edição que será a 23ª, eles completarão um ano e o evento se dará durante 3 dias: 28,29 e 30 de agosto.

Vendem batata doce, jiló, banana, verduras, etc. diretamente da terra, sem uso de agrotóxicos.


*Batata doce laranja também conhecida como batata doce cenoura, difícil de achar para comprar (veja post no dia 10 de julho)

Também formam pequenas cooperativas e produzem geleias, licores, picles, cervejas artesanais, doce de leite, etc., são os agroindustrializados, que não apresentam em sua composição nada que seja transgênico.

A proposta é uma alimentação saudável, o que vem diretamente da terra e quando elaborados, os produtos são artesanais sem conservantes químicos, corantes, etc.

Livros: comprei “De onde vem nossa comida!” e “A Convenção dos Ventos”.

Nos dias de comercialização nesse espaço Terra Crioula, acontece a Culinária da Terra, a refeição é feita com produtos que estão nas próprias bancas e quem quiser pode almoçar no local.

Um caminho para adquirir esses alimentos in natura e os produtos, é encomendar a CESTA DA REFORMA AGRÁRIA, ou seja, você escreve para o e-mail: terracrioula@gmail.com , que eles enviam uma lista do que pode vir na próxima cesta, você escolhe e faz seu pedido.

Conversei com Ruth Rodrigues, Coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, assentados e acampados (os assentados já tem o direito ao uso da terra e os acampados ainda não estão regularizados) : “Para aqueles pesquisadores que estudam especificamente o período de acampamento, este se caracteriza como um momento de transição ou de passagem, durante o qual o acampado rompe com sua identidade/papel anterior, mas ainda não alcança o novo lugar pretendido (o de assentado), lugar este que permitiria um enraizamento definitivo (Turatti,2005)”.  http://www.scielo.br/pdf/psoc/v26n3/a05v26n3.pdf

Rosane Vidinhas e Ruth Rodrigues

Ruth estudou Agronomia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Durante o curso conheceu o MST e se voltou a lutar com eles. Esclarece na nossa conversa que os acampamentos e assentamentos no Estado do Rio são divididos por áreas:

Região Norte : Campos e Goytacazes / Região Lagos: Macaé / Região Sul : Piraí , Barra do Piraí / Baixada Fluminense: Caxias, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, etc.

Comercializar esses produtos não é tarefa fácil.  Eles esbarram com a falta de apoio do governo, é preciso acompanhamento para que realmente não utilizem nenhum agrotóxico nas plantações, as sementes precisam ser de qualidade, e um dos maiores desafios é a logística de levar o que produzem para o local de venda normalmente distante. Coletivos representam as pessoas, o que facilita.

Um COLETIVO DE MULHERES do MST, EMPÓRIO DA CHAYA, desenvolve toda uma atividade com a planta chaya: desde sua plantação, cultivo, no uso de chás, como hortaliça (culinária) em diversos pratos, em conservas, doces, geleias, etc.

Os picles são feitos com os talos da chaya

A chaya ainda é pouco conhecida, considerada uma PANC – Planta alimentícia não convencional.

Regina Lourdes e Rosane Vidinhas

Nessas preparações (bolos, casadinhos) a Regina Lourdes me explicou que substituem o leite pelo chá da chaya.

Casadinho com massa feita com chaya e recheio de geleia de chaya.

Segundo a cultura popular, a chaya é boa para problemas de tireoide, para baixar triglicerídeos, colesterol e até emagrecer.

Sabe-se que não deve ser consumida crua, pois contém uma substância muito tóxica.

É sim uma nova opção alimentar, mas ainda carece de maiores estudos e pesquisas nutricionais.

No livro “Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil, dos autores Valdely Kinupp e Harri Lorenzi, pela editora Plantarum, a CHAYA é uma planta rica em Proteínas, Ferro, Cálcio e Vitaminas A e C.

No Facebook é possível conhecer mais sobre o trabalho dessas mulheres do Empório da Chaya:

https://www.facebook.com/Emporiodachaya/

Regina também apresentava para venda:

Casca de aroeira, popularmente com função antiinflamatória.

Canela de velho popularmente utilizada para dores musculares.

Da terra para a mesa. Visite o espaço e converse diretamente com quem produz.

 

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