Tempero da Vida

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Rosane Vidinhas
8 de outubro de 2019

Nina Horta

Por Rosane Vidinhas, 7 de outubro de 2019

Gratidão.

Nina Horta foi para mim alguém muito especial, sem talvez saber o quanto!

A melhor cronista de gastronomia! Seus textos leves, bem-humorados, cheios de inteligência e sabedoria, me inspiravam!

Quem escreve sobre alimentação, tem que amar o ser humano.

Famosa, com espaço garantido na imprensa, reservou um tempinho para um papo comigo numa noite a dentro… com todo carinho. Uma prosa pelo messenger…

Quem hoje me acompanha e gosta do que eu escrevo, não imagina que por muito tempo eu não tinha tanta coragem assim. E Nina Horta foi uma das grandes responsáveis para que eu fosse em frente a escrever com alma.

Eu sempre fui fã de Nina Horta, pensava em um dia ir a São Paulo e estar com ela pessoalmente, abraçá-la e agradecer. Nina, você partiu antes da nossa foto!

Um trecho da nossa conversa em 2016:

Rosane: – “Olá Nina…sempre tive um sonho: escrever! Porém tive várias tentativas de lançar meu blog mas sempre me bloqueio” …

Nina : – “Que pena, Rosane, é que nós damos muita importância, temos medo da crítica alheia. Eu demorei uns 5 anos para achar o tom de um blog, só para descobrir que não precisava de nenhum tom, era o que me viesse à cabeça e azar dos que não gostassem” …

Rosane : – “Esse é o meu foco…o que o alimento e sentimento tem a ver”…

Nina: – “Mentira, ainda morro para que gostem mais, para que gostem, enfim. O Outro é sempre maior que eu!” …

Rosane: – “Sem essa de regimes mirabolantes ou de rótulos de mídia para ser feliz! Adoro ver o alimento seja um tomate ou um bolo decorado!”…

Nina: – “E tem que ir ao ar logo!”

Rosane: – “Você é especial para mim!”

Nina:- “Agradeço do mais fundo do coração”

Eu que agradeço imensamente. Como é bom passar por esse planeta e poder em minutos fazer a diferença para alguém como você fez para mim.

 

Continuarei a buscar o meu melhor.

Nina Horta formou-se em filosofia da educação na Universidade de São Paulo (USP) em 1969. Também empresária, manteve um buffet por mais de duas décadas.

Escreveu os livros “Não É Sopa”, lançado em 1995. Uma coletânea de crônicas e receitas culinárias que publicou na Folha de São Paulo, desde 1987 e ganhou o prêmio Jabuti em 2016 com “O Frango Ensopado de minha mãe”, ambos editados pela Companhia das Letras.

 

Traduziu vários livros.  Entre eles: Sal, Gordura, Ácido e Calor, lançado agora em 2019, pela Companhia da Mesa, selo da editora Companhia das Letras.  O original “Salt Fat Acid Heat” foi ganhador do prêmio James Beard 2018, nos Estados Unidos, como melhor livro de culinária. A autora chef Samin Nosrat, acredita que de forma simples, dominando os quatro elementos, todo prato fica uma delícia. O prefácio foi assinado por Michael Pollan, autor dos best-sellers “O Dilema do Onívoro” e “Em Defesa da Comida”, entre outros. Traduzir um livro como esse somente por quem tivesse condições para isso.

O livro inspirou a série de mesmo nome na Netflix. E esta série foi tema de um dos meus trabalhos finais da pós-graduação em Jornalismo Gastronômico na Facha, junto as colegas Joice Pereira e Rosa Bittencourt.

Viúva, Nina Horta deixa três filhos, três netos e um bisneto. Faleceu na noite de domingo, 6/10, aos 80 anos de idade. Lutava contra um câncer e teve infecção generalizada.

Siga em paz!

Foto da Nina: Reprodução / Instagram Glamurama

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