Tempero da Vida

Memórias e Sensações
Rosane Vidinhas
19 de agosto de 2019

O APARELHO DE JANTAR da minha mãe

Por Rosane Vidinhas, 19 de agosto de 2019

Estava andando por Botafogo, quando deparei com um senhorzinho vendendo umas “antiguidades” no chão.
Me chamou a atenção esse quadro: “Como entrar e sair de um jantar sem perder a linha” uma matéria do O GLOBO de 1996 !


Por algum motivo alguém transformou a página do jornal em quadrinho…provavelmente esperava que um grande número de pessoas absorvesse a ideia:
Regras para um jantar chique.

Por coincidência, recentemente fiquei diante de um lindo aparelho de jantar, completíssimo, com 12 pratos rasos, 6 pratos fundos…travessas, sopeira grande, pequena,e muito mais…que era da minha mãe.

Sem lugar para guardar, com dó, pensei em vender. Consultando um antiquário na Rua do Lavradio ele me disse:
-” Minha senhora, não compro porque ninguém quer! as famílias não sentam mais à mesa! ninguém organiza uma refeição que valorize um aparelho de jantar”.

Lembrei do meu quadrinho de 1996…estamos perdendo espaços, valores? tudo ficou muito simples e prático?
Precisamos nos reunir mais a mesa?!

Abaixo trechos do texto:
“Quem nunca passou por uma situação constrangedora ao se sentar à mesa para um jantar chique?
…As regras de etiqueta ficaram mais flexíveis,mas mesmo assim fazem muita gente tremer na hora H.
A preocupação em não dar vexame pode fazer com que um convite para jantar acabe se transformando num verdadeiro presente de grego.
…Comida presa entre os dentes pode causar um tremendo mal estar.Palitos,nem pensar…
Feio mesmo é encher a mesa de pratinhos para saborear cada doce do cardápio.
Alguns bufês até investem em harmonia de sabores para que as sobremesas combinem entre si e os mais gulosos percam a linha. Da cintura”.

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